A família tradicional: família alargada ou família conjugal

 

10. A família tradicional: família alargada ou família conjugal?

O modelo tradicional era preocupado sobretudo no campo, em contraste com os meios urbanos que eram considerados particularmente nocivos à família.

Não foi a industrialização que determinou a evolução, ou, pelo menos não a determinou imediatamente. A redução do número de membros da família só se verifica no séc. XX, coincidindo sobretudo com a diminuição da taxa de natalidade. Por outro lado, em certas zonas, a dimensão da família chegou a aumentar no decurso da industrialização.

A diferença não se deve estabelecer entre períodos pré e pós-industrial, mas entre o campo e a cidade, não tendo havido, nesta última, evolução significativa.

Certas condições demográficas dificultaram, na época pré-industrial, a coexistência de três gerações da mesma família. Tais condições eram: a esperança de vida; a diferença de idade entre a pessoa que transmitia e a que recebia a propriedade determinada pela idade elevada do casamento; e os grandes intervalos entre o nascimento dos filhos sobrevivos.

 

11. Funções da família

Reconhece-se o significado cada vez menor da família como forma de realização social: vai perdendo as suas funções tradicionais, que são transferidas para a sociedade ou para o Estado.

A família, ao mesmo tempo que perde a sua autonomia religiosa, se sacraliza – mas integrada no conjunto mais vasto da Igreja, da qual é uma simples célula subordinada. O carácter sacramental do casamento transformava-o numa instituição religiosa. Ao marido assistia o dever cristãmente com a mulher, conduzindo-a à salvação. A ambos esposos, sobretudo ao marido até ao séc. XIX, competia a educação religiosa dos filhos. A família transformara-se, assim, na célula básica da Igreja. Ela própria é Igreja em miniatura, com a sua hierarquia, com o seu local afectado ao culto, a sua hierarquia chefiada pelo pai. Veiculando, pela própria natureza das coisas, a doutrina da Igreja; submetida, através da autoridade do pai, à hierarquia eclesiástica.

A partir de fins do séc. XVIII, com a crescente desagregação da família como unidade de produção e consequentemente saída do pai da casa da família para se assalariar, as funções religiosas deslocaram-se para a mãe.

A família, através da destruição do carácter religioso e sacramental, perde uma boa parte da função de controlo social, na medida em que os seus membros, desaparecida a justificação religiosa da dominação, fogem à autoridade do pai ou da mãe.

A família exerceu uma importante função de defesa dos membros contra agressões vindas do exterior, e no castigo dessas agressões, na época em que o poder político era fraco.

A função assistencial da família tem diminuído, atendendo não só ao número crescente de pessoas a que a família concede protecção, mas também à diminuição das ocasiões e da intensidade em que tal assistência é exigida.

No passado pré-industrial, família e trabalho eram indissociáveis. É certo que a família virá a perder no decurso dos tempos uma parte importante das suas funções económicas, à medida que se foi acentuando a divisão social do trabalho. Contudo, a perda mais significativa realizou-se no decurso da revolução industrial, em que a família deixou de constituir a fórmula básica da organização produtiva, tendo perdido pouco a pouco a maioria das suas funções produtivas.